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Artigo: Um chamado à reflexão à direita de compromisso democrático

Por Luiz Eduardo Oliva - Advogado, poeta e escritor

09/10/2026 às 22h31
Por: César Cabral Fonte: Redação
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Ilustração
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Uma das características que mais acentuam o regime democrático é o pluralismo político. Isso significa dizer que, na democracia, há espaço livre para o fluir de differentes ideias, partidos e grupos políticos — incluindo visões opostas do espectro político, como o campo progressista (esquerda) e o campo conservador (direita). Sem esse espaço para a circulação de pensamentos, a democracia deixaria de existir na prática.

Seria inconcebível, em um regime democrático, que todos pensassem igual. Afinal, a sociedade é formada por grupos distintos, com interesses e valores variados, o que impede a imposição de um pensamento único. Grupos de direita e de esquerda têm o pleno direito de se organizar, disputar eleições e governar, desde que respeitem as regras do jogo democrático e os direitos fundamentais. A Constituição Federal de 1988, nossa "Carta Cidadã", já traz em seu artigo 1º, inciso V, o pluralismo político como um de seus fundamentos, enquanto o artigo 17 estabelece a liberdade de criação de partidos políticos, contanto que sejam resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

O que se testemunha hoje, contudo, é uma confusão conceitual entre a direita tradicional, a extrema-direita e o bolsonarismo. Uma direita responsável compreende que as regras democráticas e a segurança jurídica são essenciais para o próprio desenvolvimento econômico e social, enxergando a alternância de poder como um processo natural e saudável.

Há, todavia, uma parcela do conservadorismo que se autodenomina “direita”, mas que se posiciona a quilômetros de distância da real compreensão do debate e da pluralidade de ideias. Trata-se de uma ala alimentada por teorias conspiratórias e pelo desconhecimento histórico, fundada em pautas autoritárias, como o pedido de intervenção militar ou o retorno da ditadura. Foi esse movimento “bolsonarista” que articulou o ataque do 8 de janeiro, configurando uma tentativa inquestionável de derrubada da ordem democrática.

É preciso distinguir esse movimento extremista de uma direita republicana e democrática, que reconhece o horror do período ditatorial e preza pela ordem jurídica. Tanto a direita quanto a esquerda responsáveis enxergam-se mutuamente como adversárias políticas legítimas no debate de ideias. Essa direita moderada respeita as instituições porque enxerga na estabilidade institucional a base do progresso. Da mesma forma, a esquerda ponderada vê a ordem jurídica como a garantia dos direitos fundamentais necessários para a promoção do bem-estar social, aceitando a regulação do mercado para mitigar desigualdades.

No próximo dia 25 de outubro, a nação brasileira irá às urnas mais uma vez no período de um mês para decidir o seu destino. Pergunta-se aos que se identificam com a direita: vale a pena votar em quem ameaça a ordem constitucional, em quem não resguarda a soberania nacional e atenta contra a democracia, como ficou demonstrado no 8 de janeiro de 2023? Ou deve o país seguir sua vocação democrática, fincada há 38 anos desde a promulgação da Constituição de 1988?

Direita que caminha para o abismo não é direita; é uma ameaça. Eis, então, a reflexão: na linha da ameaça à democracia posiciona-se Flávio Bolsonaro; na garantia da ordem democrática situa-se Luiz Inácio Lula da Silva, cuja coalizão comporta, sim, a direita responsável. Afinal, o próprio vice-presidente, Geraldo Alckmin, sempre esteve historicamente associado ao centro-direita, assim como esteve José Alencar quando vice-presidente nos dois primeiros mandatos de Lula.

Fica, portanto, este convite à reflexão, sobretudo aos leitores e leitoras que se identificam como sendo de direita responsável, equilibrada assim como aos que se identificam como sendo de centro, e até aos que não se consideram ligados a especto politico nenhum mas que desejam a manutenção do regime democrático — o único capaz de comportar, com segurança, a pluralidade ideológica. 

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