
(*) Matéria republicada e atualizada em 8 de fevefeiro de 2026
Raymundo Luiz da Silva foi um renomado radialista/jornalista sergipano que marcou época e fez história atuando nos principais veículos de comunicação do Estado de Sergipe. Nasceu em Aracaju, no dia 28 de setembro de 1929. Foi casado com D. Maria de Lourdes (D. Lourdinha, também falecida), teve vários hobbys, dentre eles o de criar passarinhos.
Quando jovem, foi notável atleta de futebol (meio-campista) e jogou nas equipes do Cotinguiba (seu clube do coração e do qual foi presidente), Sergipe e Itabaiana. Em 1953 entrou para o Banco do Brasil, sendo lotado na cidade de Itabaiana-SE.
Jornalista vitalício, o Comendador Raymundo Luiz foi agraciado com a Medalha da Ordem Aperipê (outorgada pelo Governo de Sergipe), Medalha Serigy (Prefeitura Municipal de Aracaju) e Medalha do Mérito Parlamentar (Assembleia Legislativa). Escritor por excelência, redigiu diversos discursos e pronunciamentos para autoridades e conhecidos políticos sergipanos.
Lembrava, com orgulho, que, muitas das vezes, tinha que “incorporar” o temperamento e a sensibilidade daquela personagem a quem daria voz, através do seu irretocável texto. Dentre tantos, fez até um discurso para ser lido por uma respeitada senhora que ria homenagear uma conhecida freira. Não foi fácil, mas, como sempre, tirou de letra, literalmente!

O seu ingresso no jornalismo se deu quase que por acaso. A Associação dos Cronistas Desportivos de Sergipe (ACDS) publicava um Jornal intitulado “Gazeta dos Esportes” e, em dado momento, o seu presidente lhe pediu que escrevesse matérias sobre fisiculturismo, esporte que era praticante. Daí em diante, passou a escrever a sua história de sucesso na imprensa sergipana.
Trabalhou no Diário de Aracaju (tendo sido Diretor Executivo), Jornal da Manhã (atual Correio de Sergipe) e A Cruzada, jornal editado pela Arquidiocese de Aracaju e que tinha como editor-chefe o seu amigo, João Oliva.
A partir daí, passou a conviver com talentosos redatores a exemplo do próprio João Oliva, Padre Luciano (que viria a ser o arcebispo D. Luciano Cabral Duarte), Manoel Cabral Machado, Silvério Leite, Paulo Machado e Jorge de Oliveira Neto. Essa equipe também redigia os editoriais “Nossa Opinião”, da Rádio Cultura, que, a princípio, era lido por Raymundo Luiz, e, posteriormente, por Reinaldo Moura e Dermeval Gomes.
Atuando na Rádio Cultura, coube a ele montar uma equipe esportiva e estruturar a programação de esporte da emissora, no ano de 1959. Por sua iniciativa, a Rádio Cultura passou a produzir matérias com os times de futebol de Aracaju, dando, assim, um novo formato a esse tipo de noticiário que, via de regra, se reportava, praticamente, aos clubes do sul do país.
Passou, então, a ser comentarista esportivo da equipe por ele criada, consagrando-se, tempos depois, como um dos mais respeitados analistas do futebol. Um radialista de palavra fácil, comunicador por excelência, intitulou o seu comentário como “Falando Francamente”, slogan que o consagrou no seio de todas as torcidas e, até hoje, é a sua marca registrada.
Trabalhou na Rádio Jornal de Sergipe em dois momentos. Primeiro, na época que a emissora pertencia a um grupo político e que o engenheiro Jorge Leite detinha 60% das ações e, tempos depois, quando fora adquirida pelo seu amigo, João Alves Filho.

Atuou como comentarista esportivo na TV Sergipe e na TV Atalaia e implantou outras três emissoras de TV em Aracaju: A TV Aperipê, TV Jornal e TV ALESE.
Foi secretário de Comunicação nos dois primeiros Governos do amigo, João Alves Filho (1983-1966 e 1991-1994).
Até pouco tempo antes de morrer, Raymundo Luiz continuou a escrever textos brilhantes dentro do casarão onde morou, por décadas, na Avenida Barão de Maruim, em Aracaju. Sempre que era visitado, gostava de mostrar o imenso quintal que abrigava árvores e pássaros, cujos cantos formavam a melodia que lhe dava inspiração e servia de fundo musical, enquanto digitava as suas produções literárias.
Raymundo Luiz da Silva morreu aos 95 anos, em sua residência, no dia 5 de maio de 2025. Por coincidência, o Dia Nacional das Comunicações.
Esta matéria foi publicada, originalmente, no RADAR SERGIPE, no dia 19 de maio de 2019.
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